Nem sei, ao certo, quando, mas lembro exatamente das minhas motivações quando iniciei esse processo de externalizar sentimentos em palavras. Era meu primeiro contato real com a escrita e meu intuito era um só: aprender a ser sozinha. Não solitária, mas integra. Alguém que por si já é. Lógico que tal motivação só seria possível por uma grande ferida causada por um outro, aliás, causada pelo sentimento dispensado a este outro. No meu caso, era um sentimento devastador, que me tomava qualquer noção de individualidade e, pior, se tratava de um amor não correspondido. Ou seja, vomitar sentimentos aqui me salvou dessa armadilha cruel e pessoal que chamamos "paixão". O mais engraçado de tudo é olhar o passado e pensar: "como eu fui capaz de ser tão louca por uma pessoa tão desinteressante?" e aí me deparo mais uma vez com a armadilha. São apenas projeções e fantasias.
É claro que esse tempo passou, há quase seis anos, e outros amores passaram pela minha vida, mas a lição persiste, com pitadas de desencanto e medo. desse negócio imenso, "PAIXÃO". Porém é inevitável não sermos atacados por nossos sentidos e sonhos, vez ou outra. E é aí então que aquela certeza me retorna e volto aqui, como quem tá desesperada, muda e silenciada, para redizer que sou integralmente eu. E que tudo que é paixão deve ser colocado de lado até que minha consistência retorne.
Essa opção, de lutar por si, é extremamente difícil. É fisicamente mais simples, emocionalmente mais óbvio e espiritualmente mais cômodo deitar em minha cama, contorcida, e remoer como a vida sempre me traz para o mesmo lugar, para a mesma posição. Portanto, venho aqui e escrevo. Remexo minhas emoções, remonto frases e sentenças, rearranjo tudo que tá dentro de mim. Já tive tempo pra compreender que, quando nos permitimos trocar com a vida, a vida troca com a gente. Persisto, assim, nesse vai-e-vem de felicidade e tristeza, de euforia e massacre, de beleza e desencanto.
2014 começou com toda sua potência e minha resolução é essa: nada será priorizado que não seja Eu. Parece egocêntrico, mas desconfio que essa é a única saída para aprendermos a amar na medida quase certa, a sermos amados sem exigir muito mais, a fluir com o mundo e confiar na capacidade que a vida tem de nos apresentar o belo.
