quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Universo em (Des)Encanto

Nem sei, ao certo, quando, mas lembro exatamente das minhas motivações quando iniciei esse processo de externalizar sentimentos em palavras. Era meu primeiro contato real com a escrita e meu intuito era um só: aprender a ser sozinha. Não solitária, mas integra. Alguém que por si já é. Lógico que tal motivação só seria possível por uma grande ferida causada por um outro, aliás, causada pelo sentimento dispensado a este outro. No meu caso, era um sentimento devastador, que me tomava qualquer noção de individualidade e, pior, se tratava de um amor não correspondido. Ou seja, vomitar sentimentos aqui me salvou dessa armadilha cruel e pessoal que chamamos "paixão". O mais engraçado de tudo é olhar o passado e pensar: "como eu fui capaz de ser tão louca por uma pessoa tão desinteressante?" e aí me deparo mais uma vez com a armadilha. São apenas projeções e fantasias. 

É claro que esse tempo passou, há quase seis anos, e outros amores passaram pela minha vida, mas a lição persiste, com pitadas de desencanto e medo. desse negócio imenso, "PAIXÃO". Porém é inevitável não sermos atacados por nossos sentidos e sonhos, vez ou outra. E é aí então que aquela certeza me retorna e volto aqui, como quem tá desesperada, muda e silenciada, para redizer que sou integralmente eu. E que tudo que é paixão deve ser colocado de lado até que minha consistência retorne. 

Essa opção, de lutar por si, é extremamente difícil. É fisicamente mais simples, emocionalmente mais óbvio e espiritualmente mais cômodo deitar em minha cama, contorcida, e remoer como a vida sempre me traz para o mesmo lugar, para a mesma posição. Portanto, venho aqui e escrevo. Remexo minhas emoções, remonto frases e sentenças, rearranjo tudo que tá dentro de mim. Já tive tempo pra compreender que, quando nos permitimos trocar com a vida, a vida troca com a gente. Persisto, assim, nesse vai-e-vem de felicidade e tristeza, de euforia e massacre, de beleza e desencanto. 

2014 começou com toda sua potência e minha resolução é essa: nada será priorizado que não seja Eu. Parece egocêntrico, mas desconfio que essa é a única saída para aprendermos a amar na medida quase certa, a sermos amados sem exigir muito mais, a fluir com o mundo e confiar na capacidade que a vida tem de nos apresentar o belo.  


domingo, 21 de março de 2010

Vibrando...

Sabe desse vazio que eu insisto em falar? E que eu preciso escrever e transformar em algo? Eu acho que so consigo preenche-lo com musica, com a poesia em geral. Sinto um violoncelo e um piano frenetico vibrando dentro de mim, me dando um ritmo e um sentido incerto, como se eu estivesse caminhando para o infinito, como se caminhar para o infinito fosse o unico caminho coerente e que com essa musica eu pudesse dancar e me mover de uma forma linda e intensa e solitaria. Quando a musica acaba, e os sons sao os cotidianos, as vozes e o caos, os caminhos parecem chegar no nada, e a vida parece mero estado de ser. Entao, penso eu, que mesmo sem entender nada de musica e poesia, preciso senti-las a cada segundo, como condicao de existir.




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Reflexões Sobre Nada (...)

Em uma noite vaga...
Penso sobre mim.

O Vazio é a ausência da falta.
A morte enquanto vida,
A saudade que escapa e a tranqüilidade que anestesia,
No vazio do sentir, procuro dizeres.
Tocando o nada, não há anseio pelo passado mal vivido ou glorioso, nem mesmo expectativas pelo devir. É oco.
A palavra é o que resta, exaustivamente cava em direção à vida.
Deixo o vazio escorrer por dentre as certezas, para então encontrar a busca.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Uma Visita

Preto com vinho virou salmão com lilás. O colorido mudou. O tom fúnebre deu lugar a uma atmosfera suave e harmonioza. E como bem dizia Freud, de certo não é mero acaso.

Há muito não venho por aqui, resolvi aparecer para revisitar sentimentos distantes, digo distantes e não antigos por saber que eles ainda me habitam e que a qualquer hora podem vir à tona, não só como memórias mas como experiencias do que costumava ser.

Como me disse um amigo, sinto-me feliz em adentrar e perceber o equilíbrio, instante efêmero numa vida de paixões. As cores são entediantes, mas o controle é tentador. Estou curtindo um cotidiano de horarios bem delimitados, mas fluindo nos momentos em que a vida pede leveza. Deixando que as tristezas tomem seu lugar, que me deixem triste. E que as alegrias me invadam, sem medo de perdê-las. Ambiguamente, levo sentimentos que me fazem inteira. De bem e de mal.

Vejo uma grande vantagem na vida quando há evolução, digo, quando a gente rompe com os proprios medos.

E eu que ia falar da Morte...
Deixa pra proxima...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

... Crua e Sem Encanto

Hoje, sou alguém com conflitos e questões definitivamente diferentes das de quando criei o blog.No entanto, devo dizer que o título do mesmo continua atual, pois permaneço em constante desencontro com o que sou e com quem sou, experimentando varias possibilidades e tentativas de existir, beirando sempre uma insatisfação infinita.
Minhas primeiras postagens relatam meu grito pela libertação do amor ( ou desamor), palavras que hoje acolho com certa repulsa. Minha luta pelo individualismo, o qual parecia impossivel de ser conquistado, atualmente existe com uma clareza atormentadora e sufocante. Minhas esperanças por uma melhor performace existencial esvairam-se e a realidade apareceu sem nenhuma dureza, mais sem graça do que qualquer ilusão infatil ou desilusão amorosa, simplesmente crua e sem encanto.
Os acontecimentos da vida tocam a indiferença e os momentos em que o coração bate mais forte causam estranheza, como se não tivessem razão de ser. Rapidamente, ele escuta o comando de seu dono " coração besta, bate porque?", e aos poucos volta-se à inercia anterior.
Amor, então, deixa de ser o combustível essencial da vida, passa a ser a grande ameaça de existir. Estratégias são traçadas para evitá-lo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Pulso Ainda Pulsa...

Apesar da minha frágil desenvoltura intelectual, resolvi atualizar este blog há muito abandonado. Não que eu tenha muito a falar, na verdade não tenho. Mas em meio à inércia de meus dias e à minha recente ideologia " deixa a vida me levar...", me veio uma pequenina vontade de divagação.

Estava conversando com minha querida mãe, a qual está em meio a uma crise de carência e culpa relativas à sua filhota ( Eu!), quando me veio um terrível mal estar. Tê-la tão vulnerável e necessitada de mim me deixa sem ação. Eu que sou tão ruim em consolar as pessoas. Eu que sou a pior motivação que alguém pode ter. Me sinto altamente impotente diante do sofrimento alheio. Eu que quero ser psicóloga... não sei conviver com sofrimento além do meu. Onde está a ironia disso tudo?

Mas é que acho dor uma coisa tão íntima e tão intransponível e incompreensível, que parece inútil tentar amenizá-la enquanto ela dói. Sem falar que dor só sente quem tem, não se compartilha.

... E que sentimento é esse que não é dor, mas que incomoda tal e qual esta.

Enfim, vim aqui me justificar, dizer que sempre fui tão sozinha na minha dor que ela parecia grande demais. Grande ao ponto de ser parte minha e conviver comigo. Eu me virei com ela... E ter que agora me virar pra cessar a dor dos outros parece insano. Eles não sabem conviver com as proprias lágrimas, não as possuem.

Fui só na minha dor e isso provoca meu egoísmo.

http://www.youtube.com/watch?v=PH3kNbvjN9E

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Bendito Ódio Que Mantém a INTENSIDADE

Escrevo por querer contato íntimo. Estou aqui na tentativa de descubrir aquilo que ainda não sei. E me sinto tão vulnerável por desconhecer o que é um turbilhão dentro de mim, como sentimentos estrangeiros que invadem sem nenhuma cerimonia.
Não consigo colocar em palavras. Seria esse o medo da verdade?
Devo dizer que o medo da verdade realmente me irrita. A sinceridade devia ser uma virtude mais valorizada pelos mortais!Mas Não. O jogo, as meias verdades, as mentiras sinceras são sempre mais interessantes. E eu não aguento mais isso. Esse jogo de faz de conta, esse exercício de nobreza, esse esforço pra evitar o mal estar explícito, tornar o bem estar explícito, e se fuder implicitamente.
Essa mentira que me torna boa apenas a olhos alheios. Porque por dentro, eu conheço cada detalhe sujo, cada desejo sádico, cada intervalo negro.
Eu não gosto dessa mentira pacifica e anestesica. Ela só serve pra esconder a miséria que existe em nós, e que lateja, e que é muito nossa. E não é motivo de vergonha. É humana.
Eu quero aceitar o que me pertence.O ódio, o rancor, a dor, a humilhação é tudo coisa minha. E sim, eu posso ser tanto a puta como a mocinha. E eu preciso que vejam isso, eu preciso ser isso. A minha humanidade depende dos meus erros.
A título de sobrevivencia, valorizem o que é podre!